Empreendedorismo feminino avança, mas ainda enfrenta desigualdade na Paraíba
Estado figura entre os piores do país em proporção de mulheres empregadoras, apesar do impacto positivo gerado por negócios liderados por elas
Apesar dos avanços no empreendedorismo feminino, as mulheres ainda enfrentam desigualdade significativa na liderança de negócios na Paraíba. Dados do IBGE, de novembro de 2025, apontam que apenas 27,1% dos empregadores no estado são mulheres, o que corresponde a cerca de 19 mil empreendedoras. O índice coloca a Paraíba como a quinta pior do Brasil e a segunda pior do Nordeste nesse indicador, evidenciando uma disparidade: para cada mulher empregadora, há aproximadamente 2,7 homens na mesma posição.
Mesmo em menor número, a presença feminina no comando de empresas tem impacto direto na geração de oportunidades para outras mulheres. Segundo levantamento do Sebrae, cerca de 73% dos negócios liderados por mulheres possuem equipes majoritariamente femininas, o que contribui para a inclusão produtiva e o fortalecimento de redes de trabalho e renda nas comunidades.
De acordo com especialistas, esse movimento amplia não apenas a empregabilidade, mas também a autonomia financeira feminina. “O empreendedorismo feminino tende a criar oportunidades para outras mulheres e promover mobilidade social”, destaca Joana Macedo, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste.
No Sertão paraibano, exemplos práticos ilustram esse cenário. No município de Sousa, a odontóloga Sonally Benicio, de 34 anos, comanda a clínica SB Odontologia, fundada há cinco anos. O negócio surgiu após experiências profissionais em franquias e, ao longo do tempo, evoluiu para uma estrutura própria com diversas especialidades.
Atualmente, a clínica conta com oito funcionários, sendo a maioria mulheres. A ampliação da equipe ocorreu conforme o crescimento da demanda e a incorporação de novos serviços. Segundo a empresária, a decisão de contratar mais mulheres também contribuiu para melhorar a qualidade do atendimento e ampliar o alcance dos serviços prestados à comunidade.
Apesar dos avanços, desafios persistem. Entre eles, destacam-se as dificuldades de acesso ao crédito e as taxas de juros mais elevadas enfrentadas por mulheres empreendedoras. Ainda assim, Sonally relata conquistas importantes, como a aquisição de equipamentos tecnológicos e a instalação da clínica em sede própria, fruto de reinvestimentos contínuos.
No campo financeiro, iniciativas de apoio têm ganhado espaço. Na Paraíba, a carteira de crédito do Sicredi destinada a mulheres empreendedoras apresentou crescimento expressivo, alcançando R$ 4,6 milhões em janeiro após expansão significativa em menos de um ano. Em nível nacional, a instituição soma mais de R$ 17,5 bilhões em crédito para empresas lideradas por mulheres, refletindo aumento superior a 12% em relação ao ano anterior.
Além do financiamento, programas de capacitação e incentivo à liderança feminina têm sido apontados como essenciais para ampliar a participação das mulheres no mercado. Especialistas avaliam que, embora os números ainda revelem desigualdade, o fortalecimento de políticas de apoio pode impulsionar mudanças estruturais e ampliar o protagonismo feminino na economia paraibana.

