Quarta, 12 de Agosto de 2026
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Nacional Argentina

Milei volta a atacar Lula e acusa Brasil de financiar suposta campanha contra a Argentina

Presidente argentino não apresentou provas da acusação; Itamaraty convocou embaixador brasileiro para consultas após declarações feitas durante convenção do PLPresidente argentino não apresentou provas da acusação; Itamaraty convocou embaixador brasileiro para consultas após declarações feitas durante convenção do PL

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 12/08/2026 20:15
Foto: InfoMoney
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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o governo brasileiro de financiar uma suposta campanha internacional contra o país durante a Copa do Mundo de 2026. A declaração foi feita em entrevista a uma rádio argentina neste domingo (26), um dia após Milei participar de uma convenção do PL em São Paulo, onde também proferiu críticas contra Lula e integrantes do Judiciário brasileiro. O argentino, no entanto, não apresentou provas ou indícios que sustentassem a acusação.

Segundo Milei, aproximadamente 25% dos recursos utilizados na suposta campanha teriam sido provenientes do governo brasileiro. O presidente argentino afirmou ainda que a iniciativa teria recebido financiamento do governo do México, liderado por Claudia Sheinbaum, e do Partido Democrata dos Estados Unidos, adversário político do presidente Donald Trump, aliado de Milei.

Na entrevista, Milei afirmou que a suposta ofensiva contra seu governo estaria relacionada ao posicionamento político adotado pela Argentina. Segundo ele, o país teria se tornado um “farol para o Ocidente” ao defender políticas de liberdade econômica. O presidente argentino também voltou a criticar governos de esquerda da América Latina.

As novas declarações ocorreram após a participação de Milei na convenção nacional do PL, realizada no sábado (25), em São Paulo, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, o argentino fez ataques pessoais ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chamou Lula de “presidiário”. As declarações provocaram reação do governo brasileiro e levaram o Itamaraty a convocar o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.

Milei justificou os ataques a Lula como uma resposta à suposta participação de integrantes ligados ao governo brasileiro na campanha eleitoral argentina de 2023. Na ocasião, o atual presidente argentino disputou o segundo turno contra Sergio Massa. Milei afirmou que assessores brasileiros teriam atuado em favor do candidato governista, embora não tenha apresentado novas evidências sobre a acusação.

O presidente argentino também criticou Lula por ter visitado Cristina Kirchner, ex-presidente argentina, durante uma passagem pela Argentina. A comparação, porém, ocorreu em contextos diferentes: Lula esteve com Kirchner quando o país não estava em período eleitoral, após a Cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, e a visita ocorreu com autorização da Justiça argentina.

A crise diplomática ganhou novos contornos nesta segunda-feira (27), quando o embaixador Julio Bitelli embarcou para Brasília para se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro deverá definir os próximos passos do governo brasileiro diante das declarações de Milei e ocorre em meio a um dos momentos de maior tensão recente nas relações entre Brasil e Argentina.

Após a reunião, também existe a possibilidade de Bitelli ser recebido pelo presidente Lula, o que representaria um sinal adicional da gravidade atribuída pelo governo brasileiro ao episódio. Segundo uma fonte do Itamaraty ouvida pela RFI, ainda não havia prazo definido para o retorno do embaixador à Argentina.

Em nota, o Itamaraty afirmou que não há precedentes para que um presidente estrangeiro, em território brasileiro, reúna agressões contra o chefe de Estado, instituições democráticas, o Poder Judiciário e o povo brasileiro. O governo classificou as declarações como motivo de forte desacordo e sinalizou que a convocação do embaixador representa uma resposta diplomática à postura adotada por Milei.

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