“Meu filho participava de tudo comigo”: mãe de adolescente morto em ataque no Rangel pede justiça e cobra ações do Estado
Jovens mortos não tinham envolvimento com crimes e participavam de projeto comunitário voltado ao esporte, educação e religião
O relato emocionado de uma mãe que perdeu o filho para a violência marcou o dia seguinte ao ataque a tiros registrado no bairro do Rangel, em João Pessoa. Israel Magalhães, de 17 anos, morto durante a ação criminosa na noite da segunda-feira (8), foi lembrado pela família como um adolescente dedicado ao esporte, próximo dos pais e sem qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Em meio ao luto, a mãe do jovem fez um apelo por segurança e medidas que impeçam novas tragédias.
Iracema Magalhães relembrou a última conversa que teve com o filho. Entre palavras de cuidado e proteção, ela disse não imaginar que aquele seria o último contato entre os dois. “Filho, você tá bem? Deus te abençoe, Deus te guarde, Deus te proteja. Já almoçou? Tá tudo bem por aí? Qualquer coisa, mamãe tá aqui”, recordou.
Além de Israel, o ataque também vitimou Edjanyo Barbosa, de 18 anos. Segundo informações da Polícia Civil, os dois jovens não possuíam antecedentes criminais nem qualquer ligação com atividades ilegais. Amigos próximos, eles participavam juntos de um projeto comunitário na região, que desenvolvia ações ligadas ao futebol, à formação religiosa e ao reforço escolar.
A delegada responsável pelo caso, Josenice de Andrade, informou que os jovens estavam próximos ao local do crime quando foram surpreendidos pelos suspeitos. De acordo com o relato de familiares à investigação, eles teriam ido buscar uma chuteira no momento em que homens armados saíram de uma área de mata e iniciaram os disparos.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do ataque. O crime aconteceu enquanto moradores realizavam atividades de pintura em uma rua do bairro. Além das duas mortes, outras duas pessoas — homens de 37 e 40 anos — também foram atingidas e encaminhadas para atendimento no Hospital de Trauma de João Pessoa.
A perícia constatou que os tiros foram efetuados a curta distância. Conforme os levantamentos iniciais, uma das vítimas foi atingida por aproximadamente oito disparos e a outra por cerca de dez. O perito responsável informou ainda que não foram encontrados entorpecentes ou qualquer material ilícito com os jovens.
Em meio à dor, Iracema cobrou uma resposta das autoridades e pediu atenção especial à proteção da juventude. Para ela, a morte do filho não pode se repetir em outras famílias.
“O Estado tem que tomar as providências para que isso não venha acontecer com outros adolescentes. Que esses olhos sejam voltados para isso. Para a nossa segurança, dos nossos jovens, para que eles não sejam mais dizimados”, declarou.
Ao recordar o cotidiano ao lado do filho, a mãe descreveu uma relação marcada por diálogo e proximidade. Segundo ela, Israel compartilhava decisões simples do dia a dia e conversava sobre os planos ligados ao futebol — uma das grandes paixões do adolescente.
O velório de Israel Magalhães e Edjanyo Barbosa foi realizado nesta terça-feira (9), na Sexta Igreja Congregacional, no bairro do Rangel. Até a última atualização das informações, nenhum suspeito havia sido preso e as investigações seguem em andamento.

