Laudos confirmam envenenamento de mais de 200 cães e gatos em Teixeira; Polícia Civil mantém investigação sob sigilo
Mortes registradas desde maio chocam moradores do Sertão paraibano e mobilizam autoridades, protetores de animais e população em busca dos responsáveis
A Polícia Civil confirmou, nesta quinta-feira (6), que os mais de 200 cães e gatos encontrados mortos desde o mês de maio, no município de Teixeira, no Sertão da Paraíba, foram vítimas de envenenamento. A conclusão consta nos laudos periciais, enquanto as investigações para identificar os autores do crime seguem sob sigilo. As autoridades reforçam o pedido para que qualquer informação que possa contribuir com o caso seja repassada, de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 197.
De acordo com o delegado Thitto de Amorim, o tipo de substância utilizada no envenenamento não foi divulgado para não comprometer o andamento das investigações. No fim de junho, o número de animais mortos já ultrapassava a marca de 100. Pouco mais de um mês depois, esse total dobrou, ampliando a preocupação entre moradores e órgãos de proteção animal.
O secretário de Meio Ambiente de Teixeira, Francisco Carlos, informou que as mortes começaram no início de maio e destacou que a principal suspeita sempre foi o envenenamento dos animais. Segundo ele, os casos registrados foram acompanhados pelas autoridades desde os primeiros episódios, culminando na confirmação pericial divulgada nesta semana.
Entre os episódios que mais comoveram a população está o da cadela Safira, que viveu durante sete anos com a técnica de enfermagem Verônica Honório. A tutora contou que o animal saiu de casa por poucos minutos, em uma noite de domingo, e retornou apresentando intensa salivação e sinais de intoxicação. Apesar das tentativas de socorro realizadas por vizinhos, voluntários de um projeto de proteção animal e uma clínica veterinária particular, a cadela não resistiu.
Verônica afirmou acreditar que Safira tenha ingerido ou entrado em contato com algum material envenenado. Segundo ela, a família já acompanhava, com preocupação, os relatos das mortes ocorridas na cidade, mas imaginava que os casos atingissem apenas animais em situação de rua. A perda da cadela, no entanto, evidenciou que animais domiciliados também podem ter sido vítimas da ação criminosa.
A integrante do Projeto Vira-Lata Vira Amor, Yasmim Nunes, afirmou que o crescimento no número de mortes preocupa os protetores independentes, que cobram uma resposta rápida das autoridades. Conforme a voluntária, a suspeita é de que os animais tenham sido envenenados após consumirem alimentos contaminados deixados em diferentes pontos da cidade.
A Polícia Civil segue investigando o caso e reforça que a colaboração da população será fundamental para identificar os responsáveis pelos envenenamentos. Informações que possam auxiliar na elucidação do crime podem ser repassadas de forma sigilosa por meio do telefone 197.
