Domingo, 21 de Junho de 2026
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Polícia Comando Vermelho

Operação desarticula rede clandestina de monitoramento e apreende mais de 70 câmeras ligadas ao crime organizado na Paraíba

Ação mobilizou 150 agentes em cidades da Região Metropolitana de João Pessoa e abriu nova frente de investigação sobre controle territorial por facções

Por J.C Martins
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José Carlos Martins Júnior

J.C Martins

ararinhabruh@gmail.com
João Pessoa-PB

| 21/06/2026 05:11
Foto: Antônio Vieira / TV Cabo Branco
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Uma operação integrada das forças de segurança realizada nesta quinta-feira (18) resultou na retenção e apreensão de mais de 70 câmeras de monitoramento instaladas por facções criminosas em municípios da Região Metropolitana de João Pessoa. A ação ocorreu na capital e também em Santa Rita, Cabedelo, Conde, Bayeux, Pedras de Fogo, Pitimbu, Alhandra e Caaporã, reunindo cerca de 150 agentes da Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Segundo as investigações, os equipamentos não tinham apenas a função de observar entradas e saídas das comunidades. O sistema era utilizado para acompanhar a movimentação de moradores e monitorar deslocamentos das forças de segurança, ampliando o controle territorial exercido por grupos criminosos. Parte das câmeras operava por meio de tecnologia de transmissão remota via Wi-Fi.

Durante a operação, mais de 1,5 mil imagens foram apreendidas e passarão por análise. Até o momento, ainda não há confirmação sobre há quanto tempo o esquema funcionava nem se o conteúdo captado era compartilhado com integrantes de organizações criminosas em outros estados.

De acordo com o delegado Carlos Othon, a retirada dos equipamentos representa apenas a primeira etapa das investigações. O material recolhido será utilizado para instaurar inquéritos e identificar os responsáveis pela instalação e operação do sistema clandestino. Conforme destacou, os envolvidos poderão responder criminalmente, com penas que podem alcançar até oito anos de reclusão.

A operação também resultou na prisão em flagrante de um homem apontado como operador das câmeras, no município de Cabedelo. A expectativa das autoridades é que a análise do material apreendido contribua para mapear estruturas criminosas e aprofundar as investigações sobre o funcionamento da rede.

O comandante-geral da Polícia Militar, Romildo, afirmou que o policiamento será mantido nas áreas alvo da operação para impedir a reinstalação dos equipamentos. Segundo ele, o trabalho não ficará restrito à Região Metropolitana e contará com a participação dos batalhões em diferentes regiões do estado.

No município do Conde, a ação também permitiu a reabertura de áreas onde viaturas enfrentavam dificuldades de circulação em razão de interferências atribuídas ao crime organizado. A Polícia Civil informou que há um calendário de investigações previsto até dezembro e que outras estruturas semelhantes já foram removidas em pontos do Litoral Sul.

As apurações ainda indicam que parte do monitoramento clandestino em Cabedelo era acompanhada remotamente por integrantes do Comando Vermelho instalados no Rio de Janeiro. Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba, criminosos teriam acesso, em tempo real, às imagens captadas em ruas e áreas residenciais da cidade.

De acordo com os investigadores, o esquema seria coordenado por Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como liderança da facção na região. Mesmo foragido no Rio de Janeiro, ele teria continuado a exercer influência sobre a cidade por meio da estrutura clandestina de vigilância. Nos últimos anos, mais de dez operações foram realizadas para investigar a atuação de facções, corrupção e infiltração criminosa em setores da administração municipal.

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